Gestoras retomam aliança net zero – mas agora sem prazo

Novo compromisso elimina referência a emissões líquidas zero até 2050 e prioriza metas climáticas individuais

A aliança de gestoras de recursos pela descarbonização de seus portfólios, a Net Zero Asset Managers (NZAM), anunciou seu relançamento nesta quarta-feira (25). O net zero, porém, agora não tem mais prazo – anteriormente, o compromisso do grupo era atingir emissões líquidas zero até 2050.

O relançamento conta com 250 signatários, ante os 325 membros da aliança quando suas operações foram suspensas um ano atrás. A lista traz nomes de algumas das maiores empresas de investimento globais, mas também conta com ausências notáveis.

As europeias dominam a página de signatários, com UBS Asset Management, BNP Paribas Asset Management e Allianz Global Investors. Não estão lá as grandes casas americanas, que antes participavam da aliança: BlackRock, JPMorgan e Goldman Sachs.

Cinco casas brasileiras são membros da aliança: Flying Rivers Capital, IG4 Capital, JGP, Régia Capital e Fama Re.Capital.

“O forte apoio dos investidores à NZAM sinaliza que os gestores de ativos em todo o mundo continuam a reconhecer e a tomar medidas para lidar com os riscos e oportunidades financeiros relacionados ao clima”, diz o comunicado da aliança. Ele menciona uma declaração pública de apoio de um grupo de mais de 50 proprietários de ativos, que respondem por US$ 3,7 trilhões  em investimentos.

O novo compromisso da aliança fala em “estabelecer metas climáticas de curto prazo consistentes com a meta global de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa” e “implementar uma estratégia de gestão de investimentos para apoiar as empresas investidas a lidar com riscos e oportunidades climáticas relevantes”.

Antes, a NZAM exigia que as gestoras se comprometessem a alinharem seus portfólios com a meta global de net zero até 2050 e estabelecessem metas intermediárias, como objetivos para 2030. Isso foi removido no novo compromisso.

Agora, os signatários definem seus próprios objetivos e caminhos climáticos, sem uma exigência padrão de datas fixas para o objetivo em comum.

A aliança diz também que oferece uma “plataforma globalmente reconhecida  para a divulgação voluntária e pública de metas climáticas, com apoio à implementação”. O novo compromisso pede às gestoras que divulguem publicamente planos de implementação e relatórios anuais sobre como estão progredindo em relação às suas metas climáticas.

Contornando a treta
O redesenho tenta evitar pontos que vinham gerando escrutínio político e regulatório, principalmente por parte de políticos anti-ESG nos Estados Unidos. As críticas eram de que a adesão a essas iniciativas climáticas equivaleria a um “boicote a empresas de energia”, poderia caracterizar práticas anticompetitivas e ainda não estaria alinhada ao melhor interesse legal e financeiro dos clientes.

Essa pressão levou à saída de alguns membros importantes, como a BlackRock, na época com US$ 11,5 trilhões sob gestão. Pouco depois, a NZAM suspendeu as atividades, após cinco anos de existência. Pouco depois, a NZAM suspendeu as atividades, após cinco anos de existência.

Em nota, Dan Grandage, diretor de investimento sustentável da Aberdeen Investments, disse que “a nova declaração reflete a evolução do investimento climático, de um foco inicial na descarbonização de portfólios para um conjunto mais amplo de abordagens que inclui a descarbonização juntamente com investimentos em transição, soluções climáticas, adaptação e resiliência”.

“O mercado financeiro desempenha um papel indispensável no apoio às metas globais de redução das emissões de gases de efeito estufa. Seguimos assumindo nossa responsabilidade nessa transição, em linha com nossos deveres fiduciários, por meio da estruturação de investimentos que combinem retornos atrativos e sustentáveis no longo prazo”, disse Sergio Gusmão Suchodolski, CEO da Fama Re.Capital, ao Reset.

Rebecca Mikula-Wright, presidente do comitê diretivo da NZAM, disse que a iniciativa tem ajudado a ampliar a transparência e o alinhamento entre gestores e clientes. Segundo ela, a adesão ao relançamento demonstra que os signatários veem valor em uma plataforma confiável para mostrar como estão gerindo riscos financeiros relacionados ao clima e aproveitando oportunidades ligadas à transição.

Os signatários se comprometem a fornecer informações sobre riscos e oportunidades climáticos, apoiar metas climáticas dos clientes, definir e revisar metas próprias de curto prazo alinhadas ao objetivo global de emissões líquidas zero, engajar empresas investidas, incentivar melhorias no sistema financeiro, garantir coerência em sua atuação em políticas públicas e divulgar planos e relatórios anuais de progresso.

4,1 min read

Compartilhe