Em julho de 2026, a NOAA confirmou que o El Niño já está em curso. Há 97% de chance de um evento no mínimo forte no auge, previsto entre novembro deste ano e janeiro do próximo, e 81% de chance de um evento muito forte.
Estudamos o fenômeno em profundidade, e o que encontramos nos convenceu de que a pergunta mais comum, quão forte ele será, não é a mais importante, mas sim como deveríamos nos preparar.
Percorremos então seus impactos no Brasil, passando por energia, agricultura, inundações no Sul e secas no Norte/Nordeste. E encontramos, abaixo das curvas de preço que costumam organizar o debate, uma camada social raramente discutida. No sul da Bahia, o El Niño de 2015 e 2016 derrubou até 85% da produção de cacau em alguns municípios e o PIB local em até 23%, em uma região onde 80% dos produtores vêm da agricultura familiar. No Amazonas, a seca de 2024 afetou 747 mil pessoas e comprometeu transporte, abastecimento e pesca. No Rio Grande do Sul, a enchente atingiu 478 municípios e causou mais de 180 mortes. No país, um em cada quatro brasileiros relata já ter precisado sair de casa por causa de um evento climático extremo.
Diante disso, mapeamos as soluções de adaptação disponíveis, de curto e de longo prazo. Jardins de chuva, telhados verdes e parques alagáveis contra as inundações. Cisternas, irrigação por gotejamento e sistemas agroflorestais contra as secas. Todas com resultados medidos em Portland, na Alemanha, em Singapura e no semiárido brasileiro, em vários casos por um custo menor que o da obra convencional equivalente.
Por fim, fomos verificar o nível de preparo das cidades brasileiras, sobretudo das mais expostas. Pelo Indicador de Capacidade Municipal, do governo federal, 62,4% dos 2.086 municípios mais suscetíveis a desastres seguem nas duas piores faixas de capacidade de um total de quatro. Apenas 9,7% chegam à faixa A.

Municípios Prioritários por Faixa ICM
Ao cruzar essa lista com a dos municípios atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul, descobrimos que 55,7% dos afetados já estavam, no ano anterior, nas faixas mais baixas. Levamos essa conversa adiante, com mais de cem contatos a prefeituras e Defesas Civis dos municípios mais vulneráveis do estado.
Restam poucos meses até o auge do fenômeno, então ainda podemos nos mobilizar para reduzir potenciais danos.
“A adaptação é possível, faz sentido do ponto de vista econômico e está, em boa medida, ao nosso alcance.“
Vamos construir um futuro mais sustentável juntos.
Caminhamos ao lado de investidores que buscam combinar retorno financeiro, gestão de riscos e exposição a oportunidades estruturais da nova economia.


